sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

CAOS…


Luanda é uma cidade invulgarmente caótica.
O transito, a falta de electricidade, o difícil abastecimento de combustível, a falta de limpeza, o excesso de gente, os cheiros do fumo dos carros e dos esgotos e dos assados mesmo ao lado…
A cada esquina que dobramos somos confrontados com atitudes e situações cuja compreensão só atingimos se as encararmos com um piscar de olho.
A marginal está a ser esventrada e revolvida para se parecer com a marginal de outra cidade qualquer, no entanto, ninguém sabe quando ou se as obras terminarão.
Até lá, o ex-libris da capital continuará com os coqueiros secos e a morrer e o lixo a acumular-se na praia.
Luanda projecta novos centros comerciais para o centro e, em vez de assumir que a EDEL  (a nossa EDP) lhes deve fornecer energia em qualidade e quantidade suficientes, prepara-se para adquirir grupos geradores capazes de abastecer o empreendimento e o bairro à volta. O falhanço é um dado a priori, o que não deixa de ser irónico para estes projectos ambiciosos.

Os esgotos entupidos levam a que se façam derivações em torno das obstruções mais obstinadas ou, em último recurso, que se abram fossas nas caves ou nos quintais.
Quando estão cheias, chamam-se carros para as limpar, aspirando as lamas pestilentas para as cisternas. Ao fim do dia, estes mesmos camiões aproveitam uma sarjeta insuspeita para despejar o que foram limpar, entupido os esgotos noutra parte da cidade com as lamas que depressa fazem uma argamassa impermeável.
Os geradores têm trabalhado 24 horas por dia e a água tem de ser comprada em camiões cisterna que enchem regularmente o deposito subterrâneo lá de casa. A agua vem directamente do rio; as empregadas da casa garantem que deitam lixívia no deposito… mas não sei, penso que devem esquecer-se muitas vezes. Por isso aquela agua, para mim, só tem mesmo uma utilidade… tomar banho, e esquecer o local do rio onde me disseram que tiravam a água.
Com a introdução de novos autocarros no centro da cidade, os candongueiros têm vindo a ser empurrados cada vez mais para as periferias. A polícia apertou bastante o cerco aos que cobravam preços especulativos ou que encurtavam as rotas habituais.
 
Ontem ao fim da tarde, numa paragem dos novos autocarros junto à Praça 4 de Fevereiro, que fica entalada entre o Hotel Presidente, o Palácio de Vidro, o edifício principal do Porto de Luanda e as obras da baía, assistia enquanto passava, a uma luta intensa para ganhar lugar no autocarro… a fila era enorme. O autocarro estava repleto de gente lá dentro; na verdade, era bem visível  a inclinação do veículo; a suspensões estavam de rastos com o peso excessivo do lado da entrada…
Foi invulgar, observar um mar de gente a entrar numa porta com uns 50 cm de largura.
Imagem128
Praça 4 Fevereiro
O curioso disto tudo, foi observar que a entrada fazia-se à força bruta… ‘vi claramente visto’, pessoas em cima do autocarro, no tejadilho, a forçarem a entrada pela parte de cima da porta… enquanto uns entravam de pé, outros tantos metiam-se por cima deles na horizontal; tais tácticas motivavam ainda mais a confusão. Se o condutor resolvesse arrancar, levaria certamente de rastos umas boas dezenas de pessoas, todas elas entrelaçadas umas nas outras.
O funcionamento das coisas em geral é muito débil… um europeu não questiona determinadas coisas, nem imagina que uma sociedade se organiza em função da informação que uns e outros se prestam mutuamente.
No fim de cada mês recebemos uma carta da EDP, outra da TVcabo, Telecom, Extractos Bancários, etc… nessa altura ficamos a saber o que pagar e quanto pagar.  Pois bem, em angola, não existe correio ou não funciona. Se quisermos pagar uma conta temos de mandar o motorista pelo meio do transito estupidamente caótico, percorrer as capelinhas todas para saber simplesmente os valores a pagar. Se surge uma dúvida no montante, o melhor é esquecer… é sempre preferível pagar logo.
Nos bancos as filas são de uma dimensão que nos fazem perder horas só para saber se determinada transferência foi realmente feita.
É frequente que a pessoa atrás de nós nos diga ‘ tou ná tua trás, yá?’ ; tal expressão quer dizer que o tipo vai fazer a sua vida enquanto estamos na fila e quando regressar vem ter comigo e eu devo dizer que sim, que ‘ele estava ná minha trás’…

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A 6000 Km de distância e com direito a prenda !

Rori-Ricardo O Rori sabe Leça Luanda
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contrário à heráldica e à estética…

 

Achei curioso este artigo de Fernando Pessoa:

«O observador imparcial chega a uma conclusão inevitável: o país estaria preparado para a anarquia; para a república é que não estava. Grandes são as virtudes de coesão nacional e de brandura particular do povo português para que essa anarquia que está nas almas não tenha nunca verdadeiramente transbordado para as coisas!

Bandidos da pior espécie (muitas vezes, pessoalmente, bons rapazes e bons amigos - porque estas contradições, que aliás o não são, existem na vida), gatunos com o seu quanto de ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos - de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regimen a que, por contraste com a monarquia que o precedera, se decidiu chamar República.

A monarquia havia abusado das ditaduras; os republicanos passaram a legislar em ditadura, fazendo em ditadura as suas leis mais importantes, e nunca as submetendo a cortes constituintes, ou a qualquer espécie de cortes. A lei do divórcio, as leis da família, a lei da separação da Igreja e do Estado - todas foram decretos ditatoriais, todas permanecem hoje, e ainda, decretos ditatoriais.

A monarquia havia desperdiçado, estúpida e imoralmente, os dinheiros públicos. O país, disse Dias Ferreira, era governado por quadrilhas de ladrões. E a república que veio multiplicou por qualquer coisa - concedamos generosamente que foi só por dois (e basta) - os escândalos financeiros da monarquia.

A monarquia, desagregando a Nação, e não saindo espontaneamente, criara um estado revolucionário. A república veio e criou dois ou três estados revolucionários. No tempo da monarquia, estava ela, a monarquia, de um lado; do outro estavam, juntos, de simples republicanos a anarquistas, os revolucionários todos. Sobrevinda a república, passaram a ser os republicanos revolucionários entre si, e os monárquicos depostos passaram a ser revolucionários também. A monarquia não conseguira resolver o problema da ordem; a república instituiu a desordem múltipla.

É alguém capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da República? Não melhorámos em admninistração financeira, não melhorámos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na monarquia era possível insultar por escrito impresso o rei; na república não era possível, porque era perigoso, insultar até verbalmente o sr. Afonso Costa.

O sociólogo pode reconhecer que a vinda da república teve a vantagem de anarquizar o país, de o encher de intranquilidade permanente, e estas cousas podem designar-se como vantagens porque, quebrando a estagnação, podem preparar qualquer reacção que produza uma cousa mais alta e melhor. Mas nem os republicanos pretendiam este resultado nem ele pode surgir senão como reacção contra eles.

E o regimen está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados mentais, nos serve de bandeira nacional - trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português - o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, devem alimentar-se.

Este regimen é uma conspurcação espiritual. A monarquia, ainda que má, tem ao menos de seu o ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada, nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto que a república veio a ser.»

- Fernando Pessoa, "Da República"

Barbie… africana

‘Uau quem é você?’ eu perguntei
‘sou eu doutô… à dilina.’ ela respondeu
‘ahh pois é, no meio dessa nova cabeleira nem a estava a reconhecer…’ eu disse apreciando os longos caracóis da farta cabeleira intensamente negra que ela agora usava.
‘num gosta doutô?’ ela perguntou desolada.
‘eu? gosto muito Adelina, acho que lhe fica bem… olhe fica igualzinha à… barbie.’ eu disse não encontrando na minha memória referências de modelos africanas.
‘ké?’ ela respondeu
‘ Pois, digamos parece a barbie, aquela boneca – a barbie de africa.’ eu respondi.

Bom parece que o nome pegou… toda a gente na empresa trata a Adelina por barbie… e ela parece gostar;
Na verdade, para ser parecida com a boneca barbie apenas precisa de mudar tudo e deixar a cabeleira.
As raparigas africanas são vaidosas e gastam o dinheiro todo que têm no visual; os salões de beleza proliferam por todo lado… mas o mais caro, e mesmo indispensável para elas, são as cabeleiras ou extensões de cabelo; não há uma mulher africana que não as use.
O curioso é que ás vezes deparo-me com algumas funcionarias da empresa e nem as reconheço; quando elas tiram a cabeleira, ficam com um cabelo normal, estilo natural, sempre muito curto; quando me habituo à fisionomia da pessoa, não tarda a aparecem com cabelos novos e compridos… alguns fazem-me lembrar as perucas da corte do rei luís xiv… outros fazem-me lembrar os cabelos das bonecas.

o jugo dos açambarcadores…

Sob a nossa direcção, o povo destruiu a aristocracia, que era sua protectora e sua ama de leite natural, porque seu interesse era inseparável do interesse do povo. Agora que a aristocracia foi destruída, ele caiu sob o jugo dos açambarcadores, dos velhacos enriquecidos, que o oprimem de modo impiedoso.

um tipo ‘assado’ de feitio…

Embora seja um tipo meio agnóstico, meio deísta e sem ideias definitivas sobre a matéria existencial, nestas alturas sinto-me sempre um palerma; a sério… porque raio serei ‘assim’ e ao mesmo tempo ‘assado’?
Descobri que sou ‘assado’… é,  sou ‘assado’… e pergunto-me porque sou então ‘assado’ quando penso racionalmente que sou ‘assim’. 
Lembrei-me  de Descartes, um tipo que desenvolve um estilo de pensamento, que pese embora não aprecie lá muito,  mas que contudo entendeu, como eu agora também intuí, que se sou de facto ‘assado’ é porque existe em mim tal ideia ‘assim’.
Confuso? também acho…
Na verdade a coisa até é simples… que dizer, hoje lembro-me daqueles que há 49 anos se juntaram num projecto de vida em comum… o meu pai e a minha mãe; recordo esse dia imaginando as velhas fotografias lá de casa em cima da mesa, ao lado da lareira e que eternizaram o momento.
Lembro-me do meu pai, com muita saudade, mas com satisfação… e sinto, quando penso nele, que de facto não sou ‘assim’ como penso que sou… eu sinto que ele está presente, mesmo não estando.
E lembro-me da minha mãe, também com saudade, mas com a satisfação de não precisar de sentir que está presente, lembro-me com a satisfação de a poder ver e sentir todos dias, mesmo não a vendo a esta distancia.
E pronto como o mundo é feito de coincidências, lembro-me por mero acaso, que hoje é também dia da implantação da república portuguesa e que há quarenta e um anos também nasceu um tipo ‘assado’ de feitio e mesmo ‘assim’, confuso como o caraças.

a dança das repúblicas…

 

A Queda da Monarquia

Nas últimas décadas do século XIX, o descontentamento da população crescia.

Para pagar as obras públicas, o governo contraía dívidas, aumentava os impostos, e o custo de vida subia.

Na Europa, crescia o interesse pelos territórios em África, fonte de matérias-primas para a indústria: algodão, café, ouro, diamantes. Os portugueses fizeram viagens de exploração no interior africano, entre  Angola e Moçambique.

Capelo e Ivens

Os países mais industrializados (Grã-Bretanha, França, Alemanha) procuravam também assegurar a posse de vários territórios em África. Em 1884-1885, esses países reuniram-se na Conferência de Berlim e decidiram que os territórios africanos seriam dos países que os ocupavam efectivamente, e não dos que os haviam descoberto.

Portugal reage apresentando o Mapa Cor-de-Rosa, no qual exigia para si os territórios entre Angola e Moçambique.

O Mapa Cor-de-Rosa e o Ultimato

Em 1890, a Inglaterra (que nunca aceitou o Mapa Cor-de-Rosa) apresenta ao rei D. Carlos I um Ultimato: ou os portugueses desocupavam os territórios entre Angola e Moçambique ou o governo inglês declarava guerra a Portugal.

Para grande descontentamento da população, o governo português aceitou este Ultimato.

O Regicídio

Neste clima de descontentamento contra a monarquia, as ideias republicanas ganham adeptos: defendem um presidente eleito à frente do governo, e não um rei. Forma-se o Partido Republicano.

Em 31 de Janeiro de 1891 dá-se no Porto a primeira revolta armada contra a monarquia. No dia 1 de Fevereiro de 1908, em Lisboa, ocorre o regicídio: são mortos num atentado o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe.

A Revolta do 5 de Outubro de 1910

A revolução republicana começou em Lisboa na madrugada de 4 de Outubro de 1910.

Partiu de pequenos grupos de conspiradores a que a população aderiu.

O exército monárquico não se conseguiu organizar e os revoltosos venceram.

Na manhã de 5 de Outubro de 1910, dirigentes do Partido Republicano, na varanda do edifício da Câmara Municipal de Lisboa, proclamaram a implantação da República em Portugal.

Neste dia terminou a monarquia em Portugal, e começou a dança das repúblicas… até hoje.

Conspirações… republicanas

 

 

Bom chegados a mais um aniversario da Implantação da República, e tendo averiguado sobre o assunto, verifiquei esta passagem interessante que se passou no decurso da queda da Monarquia e consequente Implantação da Republica; o texto a que me refiro é este:

“O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida por este partido, cujo objectivo primário cedo foi o da simples substituição do regime.

Esta operação tinha também como finalidade fazer do derrube da monarquia uma mística messiânica, unificadora, nacional e acima de classes. Esta panaceia que deveria curar de uma vez todos os males da Nação, reconduzindo-a à glória, foi acentuando cada vez mais duas vertentes fundamentais: o nacionalismo e o colonialismo. Desta combinação resultou o abandono do Iberismo, identificando-se monárquicos e monarquia com antipatriotismo e cedência aos interesses estrangeiros.

Outro componente muito forte da ideologia republicana era o anticlericalismo, identificou-se religião com atraso científico e força de oposição ao progresso, em oposição aos republicanos, vanguarda identificada com ciência e progresso.

Os nomes mais radicais ficaram encarregues das funções logísticas na preparação da revolução. O comité civil era formado por Afonso Costa, João Chagas e António José de Almeida. À frente do comité militar ficou o almirante Cândido dos Reis.

António José de Almeida ficou encarregue da organização das sociedades secretas, como a Carbonária, em cuja chefia se integrava o comissário naval António Maria Machado Santos, a Maçonaria, embora esta independente dos órgãos do partido, e “Junta Liberal”, dirigida pelo Dr. Miguel Bombarda. A este eminente médico se ficou a dever uma importante acção de propaganda republicana sobre o meio burguês, que produziu muitos simpatizantes.

As forças armadas foram outro campo de recrutamento para os ideais republicanos, inevitável dada a orientação revolucionária escolhida. Embora já existisse um núcleo republicano, quando em 1909 se começou a preparar a revolução a curto prazo, havia falta de oficias no movimento. Esta falta foi suprida por acção conjunta da Maçonaria, do almirante Cândido dos Reis no Comité Militar Republicano (que recrutou a maior parte dos oficiais) e de Machado dos Santos na Carbonária.”

 

Entretanto fui ao site do Grande Oriente Lusitano (Maçonaria) e encontrei isto:

“O Grémio Lusitano (Maçonaria) congratula-se com as comemorações que se estão a preparar em todo o País para assinalar o aniversário da implantação da República Portuguesa, promovidas por entidades públicas e grupos de cidadãos, de acordo com os valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade.  Grande Oriente Lusitano 2009.

 

Ora estas palavras aguçaram-me a memória e o espírito conspirador :)… e relacionei tudo com o que tinha lido nos Protocolos dos Sábios do Sião (1890)do qual coloco aqui alguns excertos:

“Fomos nós os primeiros que, já na Antiguidade, lançamos ao povo as palavras "Liberdade, Igualdade, Fraternidade", palavras repetidas tantas vezes pelos papagaios inconscientes que, atraídos de toda a parte por essa isca, dela somente tem usado para destruir a prosperidade do mundo, a verdadeira liberdade individual, outrora tão bem garantida dos constrangimentos da multidão.

Homens que se julgavam inteligentes não souberam desvendar o sentido oculto dessas palavras, não viram que se contradizem, não repararam que não há igualdade na natureza, que nela não pode haver liberdade, que a própria natureza estabeleceu a desigualdade dos espíritos, dos caracteres e das inteligências, tão fortemente submetidos às suas leis ; esses homens não sentiram que a multidão é uma força cega ; que os ambiciosos que elege são tão cegos em política quanto ela ; que o iniciado, por mais tolo que seja, pode governar, enquanto que a multidão dos não-iniciados, embora cheia de génio, nada entende da política.

Todas essas considerações não abrolharam no espírito dos cristãos ; entretanto, é nisso que repousa o princípio dinástico dos governos ; o pai transmite ao filho os segredos da política, desconhecidos fora dos membros da família reinante, a fim de que ninguém os possa trair. Mais tarde, o sentido da transmissão hereditária dos verdadeiros princípios da política se perdeu.

O êxito de nossa obra aumentou. Todavia, no mundo, as palavras Liberdade, Igualdade, Fraternidade puseram em nossas fileiras, por intermédio de nossos agentes cegos, legiões inteiras de homens que arvoraram com entusiasmo nossos estandartes. Contudo, tais palavras eram os vermes que roíam a prosperidade dos não-judeus, destruindo por toda a parte a paz, a tranquilidade, a solidariedade, minando todos os alicerces de seus Estados. Vereis pelo que se segue como isso serviu ao nosso triunfo; isso nos deu, entre outras cousas, a possibilidade de obter o triunfo mais importante, isto é, a abolição dos privilégios, a própria essência da aristocracia dos cristãos, o único meio de defesa que tinham contra nós os povos e as nações.

Sobre as ruínas da aristocracia natural e hereditária, elevamos nossa aristocracia da inteligência e das finanças. Tomamos por critério dessa nova aristocracia a riqueza, que depende de nós, e a ciência, que é dirigida por nossos sábios.


Nosso triunfo foi ainda facilitado pelo fato de, nas nossas relações com os homens de quem precisamos, sabermos tocar as cordas mais sensíveis da alma humana: o cálculo, a avidez, a insaciabilidade dos bens materiais, todas essas fraquezas humanas, cada qual capaz de abafar o espírito de iniciativa, pondo a vontade dos homens à disposição de quem compra sua actividade.

A ideia abstracta da liberdade deu a possibilidade de persuadir ás multidões que um governo não passa de gerente do proprietário do país, que é o povo, podendo-se muda-lo como se muda de camisa.

A removibilidade dos representantes do povo coloca-os à nossa disposição; eles dependem de nossa escolha.”

“Para impelir os ambiciosos a abusar do poder, opusemos umas às outras todas as forças, desenvolvendo todas as suas tendências liberais para a independência...

Encorajamos para esse fim todas as tendências, armamos todos os partidos e fizemos do poder o alvo de todas as ambições. Transformamos os Estados em arenas onde reinam os distúrbios... Dentro de pouco tempo, as desordens e bancarrotas surgirão por toda a parte.

Os falastrões inesgotáveis transformaram as sessões dos parlamentos e as reuniões administrativas em prélios oratórios. Jornalistas audaciosos e panfletários cínicos atacam diariamente o pessoal administrativo. Os abusos do poder, finalmente, prepararão a queda de todas as instituições, e tudo será destruído pela multidão enlouquecida.

Os povos estão mais escravizados ao trabalho pesado do que no tempo da servidão e da escravidão. É possível livrar-se de um modo ou de outro da escravidão e da servidão. É possível compactuar com ambas. Mas é impossível livrar-se da miséria.

Os direitos que inscrevemos nas constituições são fictícios para as massas ; não são reais. Todos esses pretensos ""direitos do povo" somente podem existir no espírito e são para sempre irrealizáveis. Que vale para o proletário curvado sobre seu trabalho, esmagado pela sua triste sorte, o direito dado aos falastrões de falar, ou o direito concedido aos jornalistas de escrever toda espécie de absurdos misturados com cousas sérias, desde que o proletariado não tira das constituições outras vantagens senão as miseráveis migalhas que lhe lançamos de nossa mesa em troca dum sufrágio favorável às nossas prescrições, aos nossos prepostos e aos nossos agentes?

Para o pobre diabo, os direitos republicanos são uma ironia amarga: a necessidade dum trabalho quase quotidiano não lhe permite goza-los ; em compensação, tiram-lhe a garantia dum ganho constante e certo, pondo-o na dependência das greves, dos patrões e dos camaradas.


Sob a nossa direcção, o povo destruiu a aristocracia, que era sua protectora e sua ama de leite natural, porque seu interesse era inseparável do interesse do povo. Agora que a aristocracia foi destruída, ele caiu sob o jugo dos açambarcadores, dos velhacos enriquecidos, que o oprimem de modo impiedoso.

Nós aparecemos ao operário como os libertadores desse jugo, quando lhe propusermos entrar nas fileiras do exército de socialistas, anarquistas e comunistas que sempre sustentamos sob o pretexto de solidariedade entre os membros de nossa franco-maçonaria social.

A aristocracia, que gozava de pleno direito do trabalho dos operários, tinha interesse em que os trabalhadores estivessem fartos, fossem sadios e fortes. Nosso interesse, ao contrário, é que os cristãos degenerem.

Nosso poder reside na fome crónica, na fraqueza do operário, porque tudo isso o escraviza à nossa vontade, de modo que ele fique sem poder, força e energia de se opor a ela. A fome dá ao capital mais direitos sobre o operário do que a aristocracia recebia do poder real e legal.

Pela miséria e o ódio invejoso que dela resulta, manobramos as multidões e nos servimos de suas mãos para esmagar os que se oponham aos nossos desígnios.

Quando chegar a hora de ser coroado nosso soberano universal, essas mesmas mãos varrerão todos os obstáculos que se lhe anteponham.

É preciso que cada um saiba que não pode existir igualdade em virtude das diversas actividades a que cada qual é destinado ; que todos não podem ser igualmente responsáveis perante a lei ; que, por exemplo, a responsabilidade não é a mesma naquele que, pelos seus actos, compromete toda uma classe, e naquele que somente atinge a sua honra. A verdadeira ciência da ordem social, em cujo segredo não admitimos os cristãos, mostraria a todos que o lugar e o trabalho de cada um devem ser diferentes, para que não haja uma fonte de tormentos em consequência da falta de correspondência entre a educação e o trabalho. Estudando essa ciência, os povos obedecerão de boa vontade aos poderes e à ordem social estabelecida por eles no Estado. Ao contrário, no estado actual da ciência, tal qual a fizemos, o povo, acreditando cegamente na palavra impressa, em consequência dos erros insinuados à sua ignorância, é inimigo de todas as condições que julga acima dele, porque não compreende a importância de cada condição.

Essa inimizade aumentará ainda em virtude da crise económica que acabará por parar as operações da Bolsa e a marcha da indústria.

Quando criarmos, graças aos meios ocultos de que dispomos por causa do ouro, que se acha totalmente em nossas mãos, uma crise económica geral, lançaremos à rua multidões de operários, simultaneamente, em todos os países da Europa.

Essas multidões por-se-ão com voluptuosidade a derramar o sangue daqueles que invejam desde a infância na simplicidade de sua ignorância e cujos bens poderão então saquear.

Elas não tocarão nos nossos, porque conheceremos de antemão o momento do ataque e tomaremos medidas acauteladoras.

Afirmamos que o progresso submeteria todos os cristãos ao reinado da razão. Será esse o nosso despotismo, que saberá acalmar todas as agitações com justas severidades, extirpando o liberalismo de todas as instituições.

Quando o povo viu que lhe faziam tantas concessões e complacências em nome da liberdade, julgou que era amo e senhor, e se lançou sobre o poder ; porém, naturalmente, foi de encontro, como um cego, a muitos obstáculos ; pôs-se a procurar um guia, não teve a ideia de voltar ao antigo e depôs todos os poderes aos nossos pés. Lembrai-vos da revolução francesa, a que demos o nome de "grande" ; os segredos de sua preparação nos são bem conhecidos, porque ela foi totalmente a obra de nossas mãos.

Desde então, levamos o povo de decepção em decepção, a fim de que renuncie mesmo a nós, em proveito do rei-déspota do sangue de Sião, que preparamos para o mundo.

Actualmente somos invulneráveis como força internacional, porque quando nos atacam em um Estado, somos defendidos nos outros. A infinita covardia dos povos cristãos, que rastejam diante da força, que são impiedosos para a fraqueza e para os erros, porém indulgentes para os crimes, que não querem suportar as contradições da liberdade, que são pacientes até o martírio diante da violência dum despotismo ousado, tudo isso favorece nossa independência.

Sofrem e suportam dos primeiros ministros de hoje abusos pelo menor dos quais teriam decapitado vinte reis.

Como explicar tal fenómeno e tal incoerência das massas populares em face dos acontecimentos que parecem da mesma natureza ?

Esse fenómeno se explica pelo fato de fazerem esses ditadores - primeiros ministros - dizerem baixinho ao povo que, se causam mal aos Estados, isto é com o fito de realizar a felicidade dos povos, sua fraternidade internacional, a solidariedade, os direitos iguais para todos. Naturalmente, não se lhe diz que essa unidade será feita sob nossa autoridade.

E eis como o povo condena os justos e absolve os culpados, persuadindo-se cada vez mais que pode fazer o que lhe der na veneta. Nessas condições, o povo destrói toda estabilidade e cria desordens a cada passo.

A palavra "liberdade" põe as sociedades humanas em luta contra toda força, contra todo poder, mesmo o de Deus e o da natureza. Eis porque, no nosso domínio, excluiremos essa palavra do vocabulário humano por ser o princípio da brutalidade que transmuda as multidões em animais ferozes. É verdade que essas feras adormecem logo que se embriagam com sangue, sendo, então, fácil encadeá-las. Mas se não lhes der sangue, não adormecem e lutam.

“Demais, a arte de governar as massas e os indivíduos por meio de uma teoria e duma fraseologia habilmente combinadas pelas regras da vida social e por outros meios engenhosos, dos quais os cristãos nada percebem, faz também parte de nosso génio administrativo, educado na análise, na observação, em tais subtilezas de concepção que não encontram rivais, pois que não há ninguém como nós para conceber planos de acção política e de solidariedade. Somente os Jesuítas nos poderiam igualar nesse ponto, porém nós conseguimos desacredita-los aos olhos da plebe ignorante, porque eles constituíam uma organização visível, enquanto que nós operávamos ocultamente por meio de nossa organização secreta. Aliás, que importa ao mundo o amo que vai ter? seja o chefe do catolicismo ou nosso déspota do sangue de Sião? Mas para nós, que somos o povo eleito, a questão já não é indiferente.

Uma coligação universal dos (povos europeus) cristãos poderia dominar-nos por algum tempo, porém estamos garantidos contra contra esse perigo pelas profundas sementes de discórdia que já se não podem mais arrancar de seu coração. Opusemos uns aos outros os cálculos individuais e nacionais dos cristãos, seus ódios religiosos e étnicos, que há vinte séculos cultivamos. É por isso que nenhum governo encontrará auxílio em parte alguma ; cada qual acreditará um acordo contra nós desfavorável a seus próprios interesses. Somos muito fortes e é preciso contar connosco. As potências não podem concluir o mais insignificante acordo sem que nele tomemos parte.

Per me reges regnant - "por mim reinam os reis". Nossos profetas nos disseram que fomos eleitos por Deus mesmo para governar a terra. Deus nos deu o génio, a fim de podermos levar a cabo esse problema. Embora surja um génio no campo oposto, poderá lutar contra nós, mas o recém-vindo não valerá o velho habitante ; a luta entre nós será sem piedade e tal como nunca o mundo presenciou. Além disso, os homens de génio chegariam tarde.

Todas as engrenagens do mecanismo governamental dependem dum motor que está em nossas mãos: esse motor é o ouro. A ciência da economia política, inventada por nossos sábios, mostra-nos desde muito tempo o prestígio real do ouro.
O capital, para ter liberdade de acção, deve obter o monopólio da indústria e do comércio; é o que já vai realizando a nossa mão invisível em todas as partes do mundo. Essa liberdade dará força política aos industriais e o povo lhe será submetido. Importa mais, em nossos dias, desarmar os povos do que levá-los à guerra ; importa mais servir as paixões incandescidas para nosso proveito do que acalmá-las ; importa mais apoderar-se das ideias de outrem e comenta-las do que bani-las.
O problema capital do nosso governo é enfraquecer o espírito público pela crítica ; fazer-lhe perder o hábito de pensar, porque a reflexão cria a oposição ; distrair as forças do espírito, em vãs escaramuças de eloquência.

A aristocracia dos cristãos desapareceu como força política e não temos mais que contar com ela; porém como proprietária de bens territoriais, poderá prejudicar-nos na medida da independência de seus recursos. É preciso, portanto, arrancar-lhe as suas terras. O melhor meio para isso é aumentar os impostos sobre seus bens de raiz, a fim de endividar a terra. Essas medidas manterão a propriedade territorial num estado de absoluta sujeição.

Como os aristocratas cristãos não sabem, de pais a filhos, se contentar com pouco, serão rapidamente arruinados.

Ao mesmo tempo, devemos proteger fortemente o comércio e a indústria, sobretudo a especulação, cujo papel é servir de contrapeso à indústria; sem a especulação, a indústria multiplicaria os capitais privados e melhoraria a agricultura, libertando a terra das dívidas criadas pelos bancos rurais. É necessário que a indústria tire à terra o fruto do trabalho, como o do capital , que nos dê, pela especulação, o dinheiro de todo o mundo: lançados, assim, às fileiras dos proletários, todos os cristãos se inclinarão diante de nós para terem ao menos o direito de viver.

Para arruinar a indústria dos cristãos, desenvolveremos a especulação e o gosto do luxo, desse luxo que tudo devora. Faremos subir os salários, que, entretanto, não trarão proveito aos operários, porque faremos, ao mesmo tempo, o encarecimento dos géneros de primeira necessidade, devido, como apregoaremos, à decadência da agricultura e da pecuária; demais, habilmente e profundamente subverteremos as fontes de produção, habituando os operários à anarquia e as bebidas alcoólicas, recorrendo a todas as medidas possíveis para afastar da Terra os cristãos inteligentes.

Para impedir que essa situação seja vista prematuramente sob seu verdadeiro aspecto, mascararemos nossos verdadeiros desígnios com o pretenso desejo de servir às classes trabalhadoras e de propagar os grandes princípios económicos que actualmente ensinamos.” … 1890

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Quilate…

Angola deverá  produzir sete milhões de quilates de diamantes em 2009, inferior aos 8,9 milhões do ano passado. As receitas da produção industrial e artesanal foram avaliadas em 1.209 milhões em 2006.
Pois é parece que foi descoberto um diamante que irá figurar no TOP 20 dos maiores diamantes de sempre na África do Sul.
O diamante de 507 quilates foi descoberto na mina de Cullinan, a mesma onde se formou o maior diamante jamais descoberto, com 3.106 quilates em bruto, e que deu origem  ao 'Cullinan I' ou 'Grande Estrela de África'.
Na verdade, a maior gema, o Cullinan I ou Grande Estrela da África, foi o maior diamante lapidado do mundo até 1985 quando foi descoberto o diamante Jubileu Dourado também na mina Prime. O Cullinan I foi montado num ceptro e a segunda maior gema, Cullinan II ou Pequena Estrela da África, com 317.4 quilates, terceiro maior diamante lapidado do mundo, foi colocado na coroa imperial.
Ambas as gemas estão expostas na Torre de Londres e fazem parte das jóias da coroa britânica… lembro-me bem de os ver aquando da visita que eu e a minha mary fizemos a Londres, há uns anitos.
      
Mas pronto… fico fascinado em ouvir falar de quilates de diamantes e do ouro, e espanto-me com a quantidade de quilates que aqueles achados têm, mas na realidade não faço a mínima ideia sobre o que representa o quilate… ou melhor não fazia até ter vindo para as terras ardentes e começar a investigar o assunto… não fosse aparecer para aí qualquer coisa… enfim.
Então, um quilate é uma unidade de peso para diamantes e outras pedras preciosas. Um quilate é igual a 200 miligramas, o que equivale a dizer que 1 grama = 5 quilates, ou que portanto 1 kg são 5.000 quilates.
Quando se refere ao ouro, o quilate é uma unidade de pureza. Ouro 24 quilates é ouro puro. Geralmente, o ouro é misturado com metais como o cobre ou prata para fazer jóias, porque o ouro puro é muito mole. Cada quilate indica 1/24 do todo. Se uma jóia é feita de metal que tem 18 partes de ouro e 6 partes de cobre ela é de ouro 18 quilates.
Ou seja um anel de ouro de 20 quilates significa que aquele tem 83,3% de ouro puro (20/24).
De onde veio essa unidade de pureza tão engraçada? é… veio de uma moeda de ouro alemã chamada marco e que era comum há cerca de mil anos. Ela pesava 24 quilates (4,8 gramas). A pureza do ouro na moeda foi expressa com o número de quilates de ouro presente nessa moeda de 24 quilates.
Na verdade, aquela gente que anda para aí nos ginásios, a suar, a correr como desalmados, na realidade estão a desvalorizar… a perder quilates.
Diamantes são apenas carbono em seu estado mais concentrado.
É isso mesmo, carbono, o elemento que está presente em 18% do peso de nosso corpo. Os diamantes são a forma cristalizada do carbono, criados sob extremo calor e pressão.
Agora, os diamantes podem ter muitos quilates e tal… mas então, e a qualidade?
Jóias
Pois, é que da mesma forma que perdemos quilates no ginásio, na verdade estamos a melhorar a qualidade do corpo.
Com os diamantes passa-se a mesma coisa… o corte, claridade, quilate e corformam um todo que valoriza ou não o diamante.
Cheguei pois à conclusão, que eu próprio, ou melhor este corpinho que me anima… tem uns 350.000 quilates… nada mau.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bússola Eleitoral…

 

Já tinha ouvido falar imenso da Bússola Eleitoral, mas ainda não tinha experimentado.

Em desespero de causa, embora não fosse votar, fui lá clicar no site e tive uma surpresa… tem graça ver os resultados.

Afinal de contas, estou muito próximo do PDA-Partido Democrático Atlântico (o que quer isto seja).

(clicai lá em cima nas palavras azuis)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Procura-se

Sir Ernest Shackleton, explorador inglês da Antárctica, colocou este anúncio nos jornais de Londres em 1900, quando preparava a ‘Expedição Antárctica Nacional’.
A propósito da procura de voluntários, Sir Shackleton disse mais tarde que ‘a julgar pelo volume de respostas, parecia que todos os homens de Inglaterra estavam decididos a acompanhar-me’.
PROCURO HOMENS PARA VIAGEM ARRISCADA, Salário baixo, frio enregelante, longos meses de completa escuridão, perigo constante, retorno duvidoso. Honra e reconhecimento em caso de sucesso – Ernest Shackleton”

humm…  quando li este anúncio pensei em duas coisas:
1º A verdade (politica de) resulta melhor se for realmente dita…
2º A motivação humana mais forte de entre todas… é a vaidade.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

uma pequena pausa… para os animais da quinta

É só mesmo uma pequena pausa na temática sobre ‘conspirações’, para dizer que vi  o nosso futuro ex-primeiro-ministro da republica portuguesa, a viajar no TGV francês… e fiquei curioso em saber, neste últimos 4 anos, quantas vezes foi ele para o Porto no Alfa Pendular. Pronto, gostava apenas que o rapaz verificasse, ele próprio, que o Alfa Pendular é digamos, uma espécie de TGV, e que não desenvolve mais porque as linhas férreas, na maior parte do percurso, são inadequadas a velocidades maiores. Ou seja, era mais barato melhorar o troço e manter o nosso Alfazito, do que gastar milhares de milhões para ganhar… pasme-se… uns míseros 15 minutos.
 
Tenho ouvido dizer ‘que o TGV é importantíssimo’… juram que o TGV, enquanto investimento do Estado, vai criar riqueza e permitir que Portugal não fique «fora da Europa» ou «não ficar para trás» ou «não ficar fora da Europa», termos que se equivalem e disputam o lugar de argumento mais sólido e insofismável sempre que se discutem as razões de determinada opção estratégica que envolva o severo e venerável futuro do país.
O ordem de prioridades que vai na cabeça desta gente faz lembrar a estrutura mental de um novo-rico: pode não saber escrever uma linha de português, pode não saber comportar-se à mesa, pode ser obeso e ter problemas de saúde por comer de forma desregulada, pode ter os filhos com problemas no ensino, pode bater na mulher, pode não saber distinguir um Picasso de um Velásquez, pode nunca ter ido a Paris, Londres ou Nova Iorque, pode não perceber nada de nada mas ahhhhhhh! tem um Ferrari!
Esta gente, que adora andar de TGV quando vai «lá fora», terá a noção do que se passa no seu país? Querem falar de comboiozinhos?
OK, mas eu mas eu não falo de comboiozinhos, eu quero falar de uma Quinta… a quinta do animais.
Naquela quinta, várias pessoas trabalham a terra e cultivam-na e adubam-na e plantam e colhem os frutos... e têm vacas e cabras e galinhas.
 
O dono da quinta não a administra directamente, na verdade nomeou um encarregado geral, o sr. João Sabetudo, JS para os amigos, e trata de todos os assuntos em nome do proprietário.
JS é por natureza um destemido, e tem vindo a contrair empréstimos para colmatar a insuficiência de rendimento.
Neste dez anos,  JS endividou-se à razão de 5% ao ano para fazer face às despesas; nestes dez últimos anos, JS já deve mais 50% dos rendimentos que anualmente vai obtendo… mas ainda tem que arcar com os empréstimos antigos necessários à compra de padiolas, enxadas e outros materiais da lavoura.
Feitas as contas JS já deve 100% do seu rendimento anual… imagine that, imagine that.
Mas JS teve uma ideia… desta vez, JS não vai ter que se preocupar mais em pagar os ordenados do pessoal, nem os adubos, nem a palha; JS, pretende fazer um lago artificial; o maior lago da região; com cascatas  e pontes e sistemas inteligentes de limpeza automática… e com piscina e campo de ténis… e um local próprio para heli-porto… enfim, os funcionários vão ter outro tipo de trabalho, vão ajudar na construção e a tirar terra e transporta-la de um lado para o outro… e muitos outras pessoas virão de outras terras… vai haver trabalho para todos, assim antecipa JS.
 
Desta vez, JS vai mesmo engrandecer a quinta… a quinta dos animais, assim conhecida.
Hipotecou a quinta, e garantiu um empréstimo substancial… e as obras começaram a todo o vapor… JS é um homem orgulhoso de si próprio…
Finalmente é inaugurado o lago e o complexo de casinhas de apoio e piscinas e o heli-porto… fez-se uma festa enorme, uma festa de ‘arre bimba ó malho’… todos estavam felizes.
Todos não, o proprietário tinha acabado de receber uma má noticia… o reembolso do empréstimo não estava a correr bem… é que durante estes anos, negligenciou-se a quinta dos animais… as arvores não foram podadas, as que morreram não foram substituídas… a terra não foi lavrada, tão-pouco fresada e os animais não tiveram grandes pastos, os custos com a compra de alimento para os animais disparou… e tornou-se ainda mais difícil em vender os produtos e os animais da quinta.
Na verdade, a quinta dos animais estava incapaz de solver os seus compromissos, os ordenados do pessoal, as rações… enfim, a quinta dos animais praticamente já só ganhava o suficiente para pagar as responsabilidades do empréstimo contraído…
Mas era um gosto enorme, para quem por lá passava, ver o lago e a piscina e o heliporto da quinta dos animais… era um gosto para o JS receber os convidados e aloja-los perto do lago com toda a comodidade… afinal de contas a Quinta dos Animais era uma quinta moderna, de nível supra europeu…
… infelizmente, a quinta dos animais teve de ser vendida… os credores não perdoaram… o pessoal foi despedido, as arvores secaram, os animais definharam…
 
Resta ainda a suprema alegria, de que atrás de JS venha um outro JS… que recompre a quinta dos animais e concretize finalmente um projecto antigo… construir um aeródromo bem no centro da quinta dos animais… e mais uma ponte que ligue o lago de uma ponta a outra… e um novo acesso paralelo ao que já existe…
Adoro estes animais da quinta a quinta dos animais.
yes, we can.

sábado, 19 de setembro de 2009

Conspirações… II

Andava, há já algum tempo, com muita curiosidade em ler dois livros, o ‘Mein Kampf’ de Adolf Hitler e os ‘Protocolos dos Sábios de Sião’ que é uma espécie de actas de alegadas reuniões de judeus conspiradores.
O primeiro foi escrito em 1925 e o segundo por volta de 1900, talvez um pouco antes.
      
Ao lê-los um seguido ao outro conjunto não imaginei que eles se interligassem.
O assunto vertido naqueles livros levou-me a efectuar investigações acerca daqueles temas, e admito, fiquei estupefacto com as coisas que fui conhecendo.
A utilização dos ‘Protocolos dos Sábios do Sião’ por parte de Hitler pode ser claramente visto no livro ‘Mein Kampf’, no capitulo denominado ‘Nação e Raça’: "... até que ponto toda a existência desse povo é baseada em uma mentira continuada incomparavelmente exposta nos Protocolos dos Sábios de Sião, tão infinitamente odiado pelos judeus.”
Por outro lado, durante a investigação, fiquei a saber que Martinho Lutero, líder e precursor do protestantismo, no seu livro ‘Von den Juden und ihren Lügen’,  defende claramente a perseguição dos Judeus, a destruição dos seus bens religiosos, assim como o confisco do seu dinheiro, isto no ano de 1543. Não sei de onde Lutero foi buscar tamanho ódio aos Judeus, mas de facto verifiquei que o precursor da Reforma e de uma ala cristã  dominante no norte europeu e EUA, o protestantismo, vomita palavras nada condizentes com a Pessoa que dá corpo à sua religião, Jesus cristo.
“Neste livro, Lutero, é no mínimo polémico, condenando a religião judaica a partir de uma óptica cristã. Lutero escreve que aqueles que continuam a aderir ao Judaísmo "devem ser considerados como sujeira.", escreveu ainda que eles são "cheios de fezes do diabo ... que eles chafurdam como um porco" e a sinagoga é "uma prostituta incorrigível".
Ele argumenta que as suas sinagogas e escolas devem ser incendiadas, os seus livros de oração destruídos, rabinos proibidos de pronunciar sermões, casas arrasadas, e propriedade e dinheiro confiscados. Eles não devem ser tratados com nenhuma clemência ou bondade,  não permitir nenhuma protecção legal,  e esses "vermes venenosos" devem ser dirigidos a trabalho forçado ou expulsos para sempre.  Ele também parece tolerar o assassinato de Judeus, escrevendo "temos culpa em não matá-los."”

O próprio Hitler, no seu Mein Kampf considerou Lutero uma das três maiores figuras da Alemanha, juntamente com Frederico, o Grande, e Richard Wagner. 
Ainda que, inicialmente, Lutero tenha tido uma visão mais favorável dos Judeus, a recusa destes em se converter ao movimento protestante que se iniciara, levou Lutero a adoptar diversas acusações e incentivar um anti-semitismo que, juntamente com outras obras e ideias, pode ter servido de base ao nazismo (o texto foi citado pelos nazis durante o Julgamento de Nuremberg para justificar a Solução Final).

Anyway, os ‘Protocolos dos Sábio do Sião’ foram publicados nos EUA no Dearborn Independent, um jornal de Michigan, cujo proprietário era o magnata da industria automóvel Henry Ford,  que ao mesmo tempo publicaria uma série de artigos coligidos mais tarde num livro intitulado “O Judeu Internacional”, no fundo uma versão americanizada dos Protocolos.
Mesmo após as denúncias, por parte de toda a imprensa, de fraude, o jornal continuou a citar o documento (os protocolos). Henry Ford, sentiu que os planos vertidos nos Protocolos estavam certos com o que se estava a passar na realidade e diz-se que financiou exaustivamente uma procura e perseguição a alegados membros da Nova Ordem Mundial, alegadamente uma organização que está na base da Franco-Maçonaria, Iluminatti, e que terá escrito os Protocolos. O lobby Judeu americano reagiu violentamente, recorrendo a tribunais e pesadas indemnizações, pelo que Ford publicamente veio pedir desculpa e retratar-se; fê-lo não por convicção, mas por ter sido obrigado a isso.
A história teria-se encerrado aí, caso, dois anos mais tarde, em 1933, Hitler não tivesse subido ao poder, na Alemanha, uma vez que foi esta obra que os nazis utilizaram, perante o meio intelectual alemão, para justificar o extermínio de seis milhões de judeus nos campos de concentração.
Adolf Hitler e seu Ministério da Propaganda citaram os Protocolos para justificar a necessidade do extermínio de judeus mais de 10 anos antes da Segunda Guerra Mundial. Segundo a retórica nazi, a "conquista do mundo pelos judeus", descoberta pelos russos em 1897 e vertida nos Protocolos, estava obviamente sendo ainda levada a cabo 33 anos depois.
O texto dos Protocolos é no formato de uma acta que teria sido redigida por uma pessoa num congresso realizado a portas fechadas, numa assembleia em Basileia, no ano de 1807, onde um grupo de sábios judeus e maçons ter-se-iam reunido para estruturar um esquema de dominação mundial.
Nesse evento, foram formulados planos como os de usar uma nação europeia como exemplo para as demais que ousassem se interpor no caminho dessa dominação, controlar o ouro e as pedras preciosas, criar uma moeda amplamente aceite que estivesse sob seu controle, confundir os "não-escolhidos" com números económicos e físicos e, principalmente, criar caos e pânico tamanhos, que fossem capazes de fazer com que os países criassem uma organização supranacional capaz de interferir em países rebeldes.

Estranhamente, ou talvez não, GW Bush referiu-se nos seus discursos várias vezes para a necessidade de haver uma ‘nova ordem mundial’.
Bush é Cristão Protestante, e acredita portanto, como os Católicos, na segunda vinda de Cristo; e leva tal crença muito a sério.
Por outro lado os Judeus advogam a vinda do messias.
Existe aqui uma semelhança, que aproxima as ideias da ‘Nova Ordem Mundial’ com as ideias de alguns cristãos. Une-os a ideia de que os sinais estão presentes e a segunda vinda de Cristo ou o messias para os judeus está eminente.
A franco-maçonaria instalou-se nos EUA; os Protocolos dos Sábios do Sião indicam claramente que a maçonaria é uma organização criada por Judeus e o seu poder é tremendo. Não há candidato a presidente dos EUA que não tenha o aval do lobby judaico que financia tudo.
Os Protocolos programam tudo ao pormenor, a ideia é estabelecer o reino ultimo do messias. E para lá chegar é necessário destruir todas as religiões, mormente a cristã. Os passos são a dominação económica, através da banca e da comunicação social.
De facto a banca mundial e a comunicação estão hoje nas mãos dos judeus;
Os bancos centrais, nomeadamente o FED é presidido por judeus que tem o poder de emitir moeda. E além de ser presidido é controlado por judeus. Note-se que, ao contrário do que opinião publica pensa, o FED não é uma entidade publica; o FED é privado, cujo capital é participada por banqueiros de nomeada americanos.
O antigo presidente norte-americano, JF Kennedy, quando tomou posse queria tirar esse poder ao FED, e mandou fabricar novas notas de dólar, desta feita emitidas pelo Tesouro americano; a ideia era ter uma quantidade de moeda nova tal que pudesse, num dia, substituir o velho dólar emitido pelo FED e portanto pelos Judeus.
Chegou a elaborar uma nova lei que proibia ao FED a emissão de moeda; coincidência ou não, três meses após a entrada da lei em vigor, Kennedy foi assassinado;
And guess what… a primeira medida que o presidente que o substituiu tomou foi anular a lei que impedia o FED de emitir moeda.
O poder do FED é enorme, tem, desde logo, o poder de gerar inflação, emitindo mais moeda; e portanto aumentar juros; e fazer o contrário também.
Se as fontes de informação, a comunicação social, estiverem em sintonia, então as noticias veiculadas tendem a ir de encontro aos interesses desses grupos.
Eu, sempre desconfiei da actual informação económica; agora tenho mais certeza.
Baseada na realização do primeiro Congresso Sionista realizado na Basileia, Suíça, presidido por Theodor Herzen, que visava a criação de um estado judeu no futuro, o opúsculo partia da ideia de que aquela reunião de judeus europeus era uma cabala secreta voltada para instigar guerras, lutas de classes, e o ódio entre os povos para assim assegurar o domínio judaico sobre o mundo e fazer valer o império do ouro.
Esse pequeno manual da difamação foi largamente distribuído na Rússia czarista em seguida a fracassada revolução de 1905, apresentada pelos agentes do governo russo como prova das intenções malignas do judeus contra o bom czar.

Conspirações… I

O povo Judeu foi sucessivamente expulso dos países por onde passaram ao longo da história. A religião foi sempre o argumento de uns e de outros para promover a perseguição aos Judeus;
Em portugal e Espanha os marranos judeus também o foram por ordem da realeza, e beneplácito do papado; primeiro em Espanha e depois de portugal. Nessa altura um ministro judeu espanhol negociou com o rei português; a ideia era Portugal receber os Judeus expulsos de Espanha; os Judeus mais ricos de Espanha, vieram de facto para portugal; o Rei obrigou-os a pagar pesadas taxas para entrar na fronteira, autorizando a sua permanência por um prazo de 8 meses, findo os quais teriam de deixar cá os seus bens e novamente pagar taxas para sair.
Reza a história, que entraram cerca de 150.000 mil judeus em portugal; a população portuguesa era, na altura, cerca de 1,5 milhões de pessoas. Os judeus aproveitaram para se desfazerem dos bens e propriedades que tinham.
Dizem que o ouro foi vendido sucessivamente às mulheres portuguesas, para o qual tinham especial gosto em usa-lo e procuravam-no muito, e em maior quantidade as mulheres minhotas; a razão assenta fundamentalmente na impossibilidade legal das mulheres herdarem naquele tempo; e portanto convertiam o ouro em fios de contas e juntavam-lhe símbolos religiosos para aparentar tratar-se de objectos de culto e não de valores patrimoniais.
Esses fios eram transmitidos de mãe para filha, ou de mãe para nora e nunca para homens. E assim as mulheres garantiam, umas ás outras, a transmissão de património, mesmo nas barbas dos homens. Ainda hoje, pode-se ver, mais no Minho, que nas festas populares tradicionais, as mulheres estão cobertas de fios de contas em ouro. Esse ouro foi de facto Judeu.
   
Anyway, o rei português não providenciou, ou não quis providenciar, navios para que os judeus, findo o prazo de oito meses, partissem; e portanto iniciou uma perseguição feroz; muitos foram mortos, e muitos outros obrigados a converterem-se ao cristianismo; Os que se recusaram à conversão foram massacrados e os seus filhos baptizados à força e enviados todos para a colónia SS. Tomé.
Os que fugiram, os mais ricos, fizeram-no para a Holanda e Bélgica. A Holanda recebeu-os e muito dinheiro entrou naquele país; aliás a Holanda e Bélgica ainda hoje se transformou num centro de negócios e trading internacional, nomeadamente nas áreas da pedras preciosas  e do ouro.
Mais tarde, os descendentes dos marranos judeus que estavam na Holanda, emigraram para o Brasil em força, aquando das invasões holandesas à colónia lusa brasileira, onde formam, ainda hoje uma comunidade muito numerosa.
Muito mais tarde, inicia-se um movimento europeu para a america do norte, os franceses e os ingleses, mormente os renegados do protestantismo europeu, e fugidos à justiça ‘divina’ das igrejas cristãs, emigraram para os EUA; os judeus viram então nos EUA um país onde a religião não os impedia de viver; juntaram-se lá vários credos e os judeus sentiram segurança… até hoje.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

ahh pai grandi…

‘ahh pai grandi, só sáí ágorá…’ ele disse vindo ao meu encontro.
‘ então pá, o que é foi?’ eu perguntei a um tipo negro de cabelo loiro lá da marginal.
‘mi deram hoji ordem di soltura; tivi préso uma simana’ ele disse mostrando-me o documento de soltura.
‘fogo pá… o que é que fizeste?’ ele perguntei
‘ahh pai grandi, elis me ápanháram no domingo à fumá daquelas coisa… sabi?... e mi prenderam’ ele informou
‘o quê? liamba? épa pensei que já te tinhas deixado dessas merdas’ eu disse e continuei ‘ mas ouve lá e passaste mal na prisão? como é aquilo? tem celas? e camas?’ eu questionei curioso.
‘ahh é uma céla prá todos e tem meismo qui dormi no chão… nem comida mi deram’ ele disse a fazer-se à gasosa e continuou ‘tem muita genti lá dentro… tem alguns da tua côr, que fizeram disfalque lá nás empresa’ ele informou
‘ pois, é o cara… mas olha lá e aquilo à noite é perigoso? quer dizer os presos não se metem uns com os outros?’ perguntei
‘nã pai grandi… tudo tranquilo’ ele terminou
‘pronto pá, toma lá para comeres qualquer coisa… mas não fumes meu, se te vejo com os olhos vermelhos… nada feito.’ ele avisei
‘brigado… nã pai grandi é só meismo liamba’ ele disse menosprezando a coisa.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

ferrero rocher…

 

 

 

‘Ouve lá… quando abri o teu blogue pensei que era um ferrero rocher…’

:) :)

le chef de cuisine…

Novamente de regresso a Luanda; desta vez inverteram-se as sensações… um calor abrasador em Portugal e um clima cacimbado em Luanda.
Angola tem apenas duas estações… o verão e o cacimbo. No cacimbo a temperatura mínima é de 23º e a máxima na ordem dos 27º e tem a particularidade de não chover.
Nesta altura os angolanos não vão à praia… têm frio taditos.
Mal cheguei, fiquei de imediato com saudades da comida que faço lá em Portugal; decidi neste ultimo sábado ser o eu o cozinheiro de serviço lá em casa. Estava indeciso entre fazer uma arroz de marisco ou um polvo à lagareiro.
A casa decidiu-se pelo arroz de marisco, o meu arroz de marisco; o pessoal da casa empenhou-se em comprar os ingredientes.
‘bom dia Joaquina… hoje sou eu que cozinho; vou fazer um arroz de marisco…’ eu disse
‘bom dia doutô… o sr. jorge já mi dissi… e comprei essa lagostas, amêijoas, camarão… ahhh e caranguejo’ ela respondeu e continuou ‘ quando era cátraia chamava esse bicho de aranha giganti, hihihi’ ela concluiu

A Joaquina queria aprender a receita… conclui que afinal de contas não ia ser eu o cozinheiro… eu estava ali como… digamos,  le chef de cuisine.
‘ uau, belos bichos Joaquina… agora preciso que me corte duas cebolas um alho, os coentros, umas latas de tomates pelado… antes ponha agua a ferver e deite lá para dentro a bicheza…’ j'ai supervisé… ‘ o refogado sou eu que faço’ j'ai prévenu.
‘cuidado doutô… elas isburrifam…’ ele advertiu
Assisti a um espectáculo meio sórdido, mas enfim é assim mesmo que as coisas são… a Joaquina meteu sete lagostas vivas na agua a ferver… e elas debateram-se uns 20 segundos. Quer dizer, não gosto muito do espectáculo, mas pronto alguém tem matar os bichos… fiquei a pensar nas lagostas congeladas que compramos nos supermercados, mete-las-ão directamente no congelador?
‘ahh quelle merveille la saveur de ce bouillon’ eu pensei provando o caldo da cozedura da bicheza… ‘manque juste un peu de sel et poivre’
Enfim, o melhor mesmo é ver… os ingredientes.
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Por completa distracção e vontade de provar o arrozito, esqueci-me de fotografar o produto final… mas estava divinal… ou je n'étais pas un vrai chef de cuisine.
As pessoas gostaram, mas a renata ainda desconfiada perguntou às minhas competentes ajudantes se tinha sido eu realmente a fazer aquele prato, para mal dos pecados do farid, que com este (excelente) exemplo de mestria culinária que moi- même deu, vai ter mesmo que começar a cozinhar também eheheh…
O polvo à lagareiro fica para a próxima…

Fica aqui a receita para quem queira aventurar-se…
Ingredientes:
Umas Lagostas
Uns camarão
Umas conquilha
1 Kg  arroz agulha
azeite a olho
2 cebolas
4 dentes de alho
2 tomate maduro, mas o melhor é mesmo duas latas.
vinho branco a olho, um bocado, tipo um gole e meio.
1 molho coentros cortadinhos
q.b. sal
q.b. piripiri em pó


Modo de fazer:
1. Mergulham-se as conquilhas em água salgada para lhe retirar a areia e deixam-se ficar algumas horas.
2. Leva-se ao lume um recipiente com água e deita-se tudo lá para dentro… coze-se o camarão, podendo aproveitar a mesma água para abrir as conquilhas e ao mesmo tempo as lagostas.
3. Descascam-se os camarões, reservando alguns inteiros, e retiram-se os miolos das conquilhas, passando e guardando a água da cozedura.
4. Entretanto, picam-se os alhos e as cebolas, escaldam-se os tomates e retira-se-lhes as peles e graínhas, cortando-se em pequenos cubos.
5. Leva-se um tacho ao lume com o azeite, deixa-se aquecer, juntam-se os alhos e as cebolas e deixa-se refogar um pouco.
6. Junta-se o tomate, mexe-se bem e refresca-se com vinho branco, deixando reduzir.
7. Junta-se o arroz e completa-se exclusivamente com o caldo da cozedura dos mariscos, junta-se o louro e o raminho de coentros, tempera-se com sal e piripiri e deixa-se cozer.
8. Quando estiver quase cozido juntam-se os mariscos, rectificam-se os temperos e deixa-se acabar de cozer, tendo o cuidado de deixar evaporar algum caldo mas deixando com suficiente depois de pronto.

Nota: A porra toda é acertar com a quantidade de agua… é que ela desaparece e temos que estar sempre preparados com agua quente do caldo para ir repondo.

Bon Appétit